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É minha, que sou idiota; É sua, que é covarde.

Vamos acabar com tudo isso. Vamos nos pisar, nos maltratar, chorar até a última lágrima não querer mais sair, até os olhos secarem, como os meus estão agora: secos, vermelhos, inchados, exaustos. Vamos mandar o nosso amor para a puta que o pariu. Mas e quem é a puta? Sou eu? É você? Ok, meu bem, nos mandemos à merda, então. Assassinemos esse sentimento que de nada serve e para nada nunca serviu. Aliás, para a dor e para mágoa, ele é de uma utilidade sem igual. Grande e bela perda de tempo, não? Grandes e belos gastos desnecessários. Se eu soubesse que tudo iria acabar assim, não teria me dado ao trabalho, juro, não teria nem lhe dirigido a palavra. Queria nunca ter visto em você uma possibilidade de ser e de fazer alguém feliz, queria nunca ter sentido por você todo o amor que pude sentir, queria nunca ter lhe conhecido, de coração. Quero sumir.

Vamos assassinar esse sentimento imbecil. Vamos comê-lo cru e sorrir para mostrar o quanto somos cruéis e fortes e racionais e pateticamente inteligentes. Vamos arrancar do peito qualquer coisa que ainda bata, por desespero ou não. Foda-se tudo isso. Vamos tirar da cabeça qualquer lembrança. Vamos fingir que nada aconteceu. É tão mais puro, não é? Tão mais fácil, tão mais certo. É isso que dizem, todos devem estar muito a par dos acontecimentos. Todos devem ter vivido essa história muito mais do que nós dois. Todos uns filhos da puta desocupados.

Que seja muito sábia essa decisão, querido. Meu silêncio é a minha melhor resposta à sua burrice. Sim, por que eu, apesar de passional, estou longe de ser burra, ao contrário do que disseram suas palavras. Não associo uma coisa à outra. Se tal conexão faz você se sentir melhor, que assim seja.

Que assim seja e amém.

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São seus braços, suas pernas, seu pescoço, seus olhos, sua boca. É você. É o seu corpo que o espelho mostra. Ele não teria como mentir, você pensa e acredita. E imita o que vê. Insiste na cópia. Cópia de si mesmo, mas ainda assim, uma cópia. Versão tão igual e tão falsa do que quer ser real, mas não consegue. Realidade. Que definição dar a essa palavra? Você não sabe, nem quer saber. Entrega-se então a uma viagem mental pelas entranhas: músculos cansados; ossos fracos; dois pulmões vazios à procura de ar; um estômago cheio daquilo que não presta; um coração querendo bater, querendo viver as delícias da sua idade. Intensa idade. Intensidade. Aquilo que não larga nunca as suas pernas, como uma sombra insistente. É um pedaço seu, um fardo, na verdade. Quase um karma. Que não lhe deixa quase ser. Por mais que o ser total seja irreal. Ele é. E sendo, ele pode. E vai.

Você é como eu. Somos iguais.

outubro 2017
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