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Aquilo que não foi esquecido; aquilo que é.

Há algumas horas atrás, me vi pensando certas coisas inquietantes. Dessas que nos põem rugas na testa e nos fazem perguntar por que as coisas têm que ser como são se, desse jeito, não nos fazem bem. Parando, percebi que as coisas, por serem de fato coisas, só se definem, permanecem ou mudam de direção se nós quisermos, se fizermos por onde. Ou seja, é uma merda? Culpa nossa. Foi aí que todo o peso do mundo me esmagou. E como doeu. Não que eu sinta que a situação de tudo que compõe a minha vida automaticamente faz de mim uma vítima-algoz, mas, infelizmente, certos componentes, ao meu ver mais importantes, são um belo fracasso. E eu, então, uma fracassada. Talvez tal dedução tenha vindo um tanto quanto atrasada, talvez já devesse ter me dado conta disso há alguns anos atrás. Afinal, precisei de quase 22. Não, isso não é pouco. Não, eu não me acho velha. Mas me sinto cansada, abatida pelas tristezas e, de repente, descubro que poderia ter evitado tanta coisa. Pior ainda é ver que não adianta nenhum pedido de desculpa ou retratação de tipo algum, as coisas (malditas coisas) não voltarão mais a ser como eram. Perdi tanto: de amores a trabalhos; de esforços a lágrimas. Nada é recuperável. São dos tipos de danos irreparáveis sobre os quais até se tinha certo controle e chance de uma nova carga na bateria, mas que, não aproveitados, extinguiram-se. Impotência é algo extremamente incômodo e insuportável quando não a temos desde sempre, quando ela simplesmente aparece quando bem entende. Nunca me senti tão igual aos homens, outrora viris, hoje dependentes da pílula azul. Digo: agradeçam por ainda terem um paliativo ao qual recorrer algumas noites que sejam. Eu passo as minhas, todas elas, sem nenhum.

junho 2017
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