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Tudo o que eu vejo agora são apenas nuvens, nuvens que deixam meus olhos vermelhos e me impedem de olhar pra frente. A certeza de que não havia razão pra ser assim, mas foi. Noites e noites torturantes sentindo que não era a coisa certa. A decisão incerta de deixar partir, de deixar que tudo o que segurava isso caísse de mim como um galho seco de uma velha árvore ao pé de um montanha coberta de neve e, por isso, provocasse som algum.
Provavelmente aquela mudança repentina na paisagem não representaria dano algum para quem observa com olhos externos. O sorriso continua no lugar, as mesmas rugas, o cabelo tentando achar a postura correta, os olhos tristemente mais leves, mais vivos e menos observadores tomaram lugar no que antes era um desespero sussurrante.
Corre por dentro uma tamanha inquietação que faz com que o sangue pareça jorrar dentro das veias, que nos braços mais finos acabam surgindo e parecem quase sempre estarem prestes a entrar em erupção. Uma erupção silenciosa que assola, como se arrancasse a pele e, assim, sentisse o congelar dessas noites de ventos de inverno que parecem lamber nossos corpos através de nossas roupas.
As noites, agora, parecem mais curtas e os dias cada vez mais estafantes. Não há uma fórmula, uma receita pra fazer com que isso passe, não há como matar algo que faz parte de mim e que já partiu.
Apenas os dias, esses monstros silenciosos que veoram tudo, talvez os dias com seus punhais dourados venham revelar o que há de vir, possam, enfim, cortar esse último elo que me liga ao fato de não ser insensível. Não assim.
A idéia de viver agora me parece bem mais solitária e ao mesmo tempo mais doce, mesmo sabendo que já é mais triste. Perder coisas para se ganhar coisas, no fim parece quase tudo uma troca de peças que se encaixam como legos e que quando trocadas nunca são do tamanho exato, machucam, fazem faltar, desequilibram… Na maioria das vezes você fica melhor, mas nunca esquece do antes. Não deseja mais aquilo, mas observa todas as delícias que houveram, ri sozinho, mas não quer mais.
Acorda em outro planeta e percebe-se sonhando com outras notas musicais, em meio a danças medievais, em outros planos astrais e sobe correndo pro único lugar que é seu, a alma.

Queria mudar a maneira das pessoas ao meu redor verem o mundo e descobri que com elas eu apenas aprendi a ver o mundo ainda mais à minha maneira. Tive vitórias, outras vezes quebrei a cara, mas o que ficou foi leve. Leve como o sol de domingo cedo, que já acorda preguiçoso e amarelo e passa o dia se arrastando por sobre nós e não machuca.

junho 2017
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