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Sensações como quem escreve como se tocasse um piano
Plano, raso, vôo, fujo.
Os olhos distantes fingindo não querer sofrer
A vontade de chorar que o vento não leva embora
O sonho distante e maluco no cochilo do almoço
Eu juro, tentava te levar comigo.
Mas você não vinha e depois eu te salvava.
Corríamos de um monstro grande que comia a rua atrás de nós
Segurando a sua mão escapamos por um triz e você sumiu.
O quarto, escuro, um arrepio estranho nas costelas
Daqueles que a gente sente e se contorce.
Que é bom.
Que é ruim.
Como você.
Como eu.
Como é quando estamos só você e eu e rimos abraçados.
Os olhos, o nariz que eu digo que é grande só pra azucrinar.
Quando faz careta e diz pra eu tirar o “chulé”, só pra eu rir.
E você também ri.

No fim da noite eu entendo o que era o sonho.
E quão real é isso.
Como ter, como não ter.

junho 2017
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