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Horas e horas de uma procura que me esgota as forças, e não consigo encontrar as peças que faltam. Olha, por favor, embaixo dessa mesa. Não? Não estão? Quem sabe no armário da cozinha ou na pia do banheiro… também não? Podem ter caído pelo ralo, e sendo assim vou precisar de um encanador. Não importa o quanto me custe, não posso, não posso ficar sem as peças. Como vou recompor sem elas este meu mosaico já tão desgastado, os pedaços multiplicados por mil a cada tempestade, atirados longe por cada raio cego, por cada explosão que leva embora um pouco dos meus contornos, das minhas cores, do meu sabor? O relógio, que ironia, este continua sempre intocado, imperando sobre a dor e o vazio das peças perdidas, três horas e não encontro meus braços, sete horas e não vejo o coração, um dia inteiro e ainda busco o ar dos meus pulmões. Um minuto pra me perder, uma vida pra me encontrar, e como caminhar se não encontro meus pés?

Procura-se uma alma, escreve nessa folha, faz um milheiro de cópias, espalha por onde andares. Vai logo, e se encontrarem algo, pede que procurem a rua dos perdidos, sem número e ainda sem chão.

Recompenso bem, assim que recuperar minha gratidão.

junho 2017
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