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That was a mess…. Um completo e absoluto desastre. Tão ruim quanto o dia em que ela acordou de um período de algumas horas de amnésia alcoólica encostada em um poste, com um sujeito baixinho e raivoso dizendo: “Vai  pra mim ou não?”. That was a fucked up moment…
Ele sorria enquanto caminhava para abrir o portão para ela. Por 5 anos ela esperou e imaginou incansavelmente aquele momento. Há 5 anos não o via e todos os dias imaginava como ele estaria. Como estaria o cabelo, se o jeito de olhar era o mesmo, como era o som da sua voz de perto… E ele veio sorrindo. De um jeito meio desconcertado, de quem não sabe o que dizer depois de tanto tempo. De quem sequer pensou no que diria, já que imaginou que nunca mais estaria ali, diante daquela pessoa. Mesmo assim, ele veio sorrindo e, depois de tanta ansiedade, de tanta espera… ela desviou o olhar e fitou o chão. Holy fuckingshit…!
Por 3 horas tudo que ela queria era deslizar os dedos naqueles cabelos que gentilmente caíam sobre a testa dele. Ela sentia saudade do cheiro de sabonete e cigarro. Dos dias cinzas trancados no quarto e embrulhados em cima da cama. Sem saber onde um começava e o outro terminava. Sem pensar em horas, dias, qualquer coisa. E ela estava ali, na frente dele, lembrando de tudo. Ironicamente chovia. E naquele momento a chuva só servia pra preencher o silêncio que mortalmente abatia-se entre os dois. A chuva que acompanhou aquele relacionamento extemporâneo, mas que foi maravilhosamente bem recebido. Pelo menos era o que ela imaginava. Ela fitava o céu e ele beirava o inferno. Fria, ausente, indecifrável, egoísta. Não o que ele precisava. Não o que ele queria.
Inelutável. Ela não precisava de nenhuma outra palavra para descrevê-lo. Sex born poison. Nenhuma outra música ilustraria tão bem o nascer daquele amor há 5 anos atrás. Avançando sofregamente naqueles corações feridos. Nenhuma outra música poderia tocar enquanto ela se via obrigada a assistir as lembranças sendo desfeitas uma a uma diante de seus olhos. Esmagadas pelas mãos indiferentes dele, que movia-se agitado de um canto a outro esperando a hora dela partir, mas ela não conseguia. Não conseguia ir a lugar algum. Não queria. Por anos ele evitou aquele encontro. Da melhor maneira que pôde… Ela queria e depois de tanto tempo conseguiu. What a fucking mess this turned out to be…. Um completo e absoluto desastre. Que tipo de pessoa tem a boca cheia de palavras e só consegue cuspir silêncio? Que tipo de pessoa permanece pálida e imóvel após cultivar tantos anos de expectativa, choro, primaveras e desejo? Que saudade! Uma expressão tão simples que ela trocou por: “Poderia pegar um copo d’água?”. Shit fuck damnit!!! Ela só queria estar ali, mas não estava por inteiro. Deixou seus pedaços guardados em lugares diferentes pra se proteger. O pedaço que foi se encontrar com ele foi metido numa concha. Como sempre.
O tempo. Famoso por apagar histórias, levar rostos, sorrisos, lágrimas, cheiros, gostos e cores embora. Bullshit. Uma puta de uma mentira. Ela sentia tudo. Lembrava de tudo. Das palavras e expressões teoricamente irrelevantes. Das inspirações profundas, de sentir cada pedacinho das mãos dele percorrendo as costas dela com urgência. De vê-lo se encolher e sorrir quando ela soprava seu pescoço. E de vê-lo esfriar e se afastar quando ela fazia alguma merda. Ela lembrava de tudo isso, olhava pra ele na situação atual e pensava: “Não dá! Não dá pra passar por essa merda. Não aguento!”. Lutava pra permanecer ali só mais 15 minutos, depois só mais 5 minutos. Só mais um pouco daquela tortura, só pra ficar perto dele. E quando sentaram-se para comer, frente a frente, foi o ápice do constrangimento. Como era possível ficar ainda pior?
Depois de comer ela só queria desaparecer, ir embora, escorrer com a chuva. Nem se lembra se agradeceu ou não, se esperou um pouco ou se partiu imediatamente. Damn…! God damnit! Com gestos duros e covardes ela finalmente se despediu dele. Um abraço torto e sem olhar nos olhos, virou-se e caminhou sob a chuva sem olhar pra trás. Sentindo que havia deixado a porra do coração inteiro pra trás em um milhão de pedaços. Seguiu com o peito vazio e sangrando. Com ódio de si e uma tonelada de perguntas. Rezando para que cada pingo d’água a dissolvesse…
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Está escuro. Apenas a luz fraca e oscilante de uma televisão muda ilumina o quarto. Ela gosta do silêncio, sempre foi um companheiro fiel. Ainda tem no rosto a marca das lágrimas e a expressão apática da dor. Daquele tipo que dura mais tempo do que se agüenta e é mais intensa do que se espera. Ela fecha os olhos, está sentada e tem o livro querido nas mãos. – Nunca ninguém falou sobre o amor como Kundera, – ela pensa – nem nunca falará – completa e sorri timidamente. Passa os dedos pelo desenho da capa e lembra a última vez que o leu em voz alta. Estava ao lado dele na cama. Sentia que poderia morrer depois daquelas noites. Era tanta felicidade, tanto carinho, tantos abraços e beijos que mal podia conter a alegria, a sensação boa que é sentir-se amada…

Então lembra do avião, da volta e do choro. Da agonia, do fim de tudo, da impotência diante dos fatos e do sentimento que iria ser assassinado. Desespera-se mais uma vez. Uma entre tantas outras vezes nesses sete últimos dias. Não nessa última semana, mas nesses sete últimos dias. O peso é muito maior. As noites não dormidas são extremamente dolorosas e difíceis de carregar. Ela enxuga o rosto com as mãos e levanta. Deixa o livro em cima do criado-mudo e caminha até o guarda-roupa. Abre a porta, ajoelha-se e procura a camisola na gaveta. Roupa que ainda trazia o cheiro dos dois e que usava para dormir quando sentia-se muito só ou muito triste. Não queria lavar, não iria fazer isso tão cedo. O cheiro a reconfortava. Era a única coisa que ainda podia ter, além das lembranças: a mistura do cheiro dos corpos, do sexo, do sono, da preguiça na cama. Aquilo era como uma droga que acalmava o mundo dentro dela. Tudo, então, fica tranqüilo e ela consegue pensar novamente. Pensa que pelo menos pôde viver aquela história, que pelo menos pôde tê-lo por aquele tempo e que pessoa, distância, mágoa ou dor alguma conseguiria apagar. Nada diminuiria o sentimento, nem a história. Nada.

Ela sorri, dessa vez um sorriso bonito, veste a camisola e dorme.

É minha, que sou idiota; É sua, que é covarde.

Vamos acabar com tudo isso. Vamos nos pisar, nos maltratar, chorar até a última lágrima não querer mais sair, até os olhos secarem, como os meus estão agora: secos, vermelhos, inchados, exaustos. Vamos mandar o nosso amor para a puta que o pariu. Mas e quem é a puta? Sou eu? É você? Ok, meu bem, nos mandemos à merda, então. Assassinemos esse sentimento que de nada serve e para nada nunca serviu. Aliás, para a dor e para mágoa, ele é de uma utilidade sem igual. Grande e bela perda de tempo, não? Grandes e belos gastos desnecessários. Se eu soubesse que tudo iria acabar assim, não teria me dado ao trabalho, juro, não teria nem lhe dirigido a palavra. Queria nunca ter visto em você uma possibilidade de ser e de fazer alguém feliz, queria nunca ter sentido por você todo o amor que pude sentir, queria nunca ter lhe conhecido, de coração. Quero sumir.

Vamos assassinar esse sentimento imbecil. Vamos comê-lo cru e sorrir para mostrar o quanto somos cruéis e fortes e racionais e pateticamente inteligentes. Vamos arrancar do peito qualquer coisa que ainda bata, por desespero ou não. Foda-se tudo isso. Vamos tirar da cabeça qualquer lembrança. Vamos fingir que nada aconteceu. É tão mais puro, não é? Tão mais fácil, tão mais certo. É isso que dizem, todos devem estar muito a par dos acontecimentos. Todos devem ter vivido essa história muito mais do que nós dois. Todos uns filhos da puta desocupados.

Que seja muito sábia essa decisão, querido. Meu silêncio é a minha melhor resposta à sua burrice. Sim, por que eu, apesar de passional, estou longe de ser burra, ao contrário do que disseram suas palavras. Não associo uma coisa à outra. Se tal conexão faz você se sentir melhor, que assim seja.

Que assim seja e amém.

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