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Farpas, o que elas são pra você?
É assim que você se veste de manhã?
As palavras que você não quer nunca dizer saem em forma de sorriso.
Seu olhar fixo,
Você não pensa que me engana
Você não pensa que me engana
Suas contradições são de propósito
Só pra me dizer que talvez eu consiga arrancar
Algo que está preso em você com cola barata
E eu descolaria de uma só vez, como cera quente
Suas palavras azedas me adoçam e de repente um frio nas costas
Um frio do medo me abraçando por trás
Que diz perto da nuca:
“Eu ainda tenho algumas horas pra fugir”
Fugir da razão que esse medo tem pra viver
Que diz perto da nuca:
“Eu ainda tenho algumas horas pra fugir”
Fugir da razão que esse medo tem pra viver
Fuga não se escolhe.
Dois caminhos e eu escolho andar na neve que eu nunca vi.
Sem roupa.
Por enquanto, e ‘por enquanto’ é uma desculpa esfarrapada
O prazo de fuga acaba depois de ontem
E minhas palavras ardidas, arrependidas já se levantam e lavam o rosto
Sentam na velha cama sem encostar os pés no chão
Esperando a ensurdecedora melodia do despertador tocar.
Esperando a ensurdecedora melodia do despertador tocar.
