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existe um triturador dentro daquele tórax
ela é uma moça e prefere sair correndo
do que olhar no espelho e ver que tudo escorre pelas mãos
tudo o que ela toca vira pedra de gelo
ignora o que não lhe interessa, mas muda de idéia
e logo tudo gela
o nó na garganta é parecido com um novelo
o novelo mais embaraçado da cidade
cheio de linhas distintas, cada uma de uma cor
uma cor
o sentimento que mais brilha dentro
o alvo dele é como o sol na manhã fria
olhar seu olhar é a paz no meio da batalha
uma vez pensou que não sentia mais, mas sim
busca em outras casas um abrigo e quando encontra
é expulsa
e o novelo e o nó e a solidão
a palavra mais concreta
ela consegue segurar com as mãos
joga no chão com toda a força
e então cria raízes
mete os pés pelas mãos, tenta substituir
acorda abraçada ao seu novelo
e espera alguém que desate
tudo em 3 segundos e irracional.
Farpas, o que elas são pra você?
É assim que você se veste de manhã?
As palavras que você não quer nunca dizer saem em forma de sorriso.
Você não pensa que me engana
Suas contradições são de propósito
Suas palavras azedas me adoçam e de repente um frio nas costas
Que diz perto da nuca:
“Eu ainda tenho algumas horas pra fugir”
Fugir da razão que esse medo tem pra viver
Fuga não se escolhe.
Dois caminhos e eu escolho andar na neve que eu nunca vi.
Sem roupa.
Por enquanto, e ‘por enquanto’ é uma desculpa esfarrapada
E minhas palavras ardidas, arrependidas já se levantam e lavam o rosto
Esperando a ensurdecedora melodia do despertador tocar.
