Expressa aqui a tua ira. Cospe tuas entranhas. Mostra esse seu sorriso fragmentado.
Mas leva pra longe o cheiro pútrido da esperança que você matou!
Arranca os dedos inúteis de suas mãos pálidas.
Sua língua só profere mentiras e desgraças.Entidade maldita, esgoto humano.
Parasita que devora os restos das vidas enlatadas. Cego, surdo, mudo, atrofiado. Devorador de almas, de vida sem gozo. Que mata sua sede no meu lamentar.
Tira essa marca de pegada das minhas costas! Que eu já não sou mais seu tapete. Tira de mim esses barbantes, que já não existo pelas tuas mãos.
Devolve a vida que você me tirou. Leva embora esse filho torto que você me deu. Parido pela garganta num grito sufocado.
Criatura maléfica, que é que você quer?
Que é que te aborrece a ponto de me desmembrar?

3 comments
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Novembro 3, 2009 às 4:58 pm
leila saads
Parece mais criatura vinda de dentro…
Novembro 6, 2009 às 10:31 am
Lúcia Ramos
E tem a coragem de ser inteiro, honesto. Se não comigo, contigo mesmo.
É o que eu acrescentaria.
Novembro 17, 2009 às 11:58 am
leo lemos
Adorei! É isso… “Aí vindes outra vez, inquietas sombras…”